Ângela do Amaral Rangel
Ângela do Amaral Rangel e um dos seus sonetos, a única mulher a participar da Academia dos Seletos ainda no século XVIII. Ângela do Amaral Rangel (Rio de Janeiro, — Rio de Janeiro,?) foi uma jornalista e poetisa brasileira.
Ângela do Amaral Rangel
![Ângela do Amaral Rangel e um de seus sonetos, ela foi uma poetisa no Brasil colonial. [1]](https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8e/Academia_dos_Seletos_%28%C3%82ngela_do_Amaral_Rangel%29.jpg/1080px-Academia_dos_Seletos_%28%C3%82ngela_do_Amaral_Rangel%29.jpg)
desconhecido · [1] · Public domain
- Born
- 1725 · Rio de Janeiro.
- Died
- 1800
- Nationality
- Brazil
- Occupation
- writer · poet
- Languages
- Portuguese
In this article
Biografia
Primeira voz feminina, registrada pelos historiadores, a se expressar na poesia brasileira diante dos intelectuais da época, Ângela do Amaral Rangel era cega de nascimento e deixou fama de talento. Foi a única mulher a participar da Academia dos Seletos onde, em 1752, quando foi recebida entre as mais altas figuras do estado (juízes, médicos, eclesiastas de categoria, etc.), que formavam o especial grupo dos Seletos- fato raríssimo de acontecer com qualquer figura do sexo feminino. Filha de Antônio Marcos Vale e Custódia Rangel, representantes de uma família ilustre no Rio de Janeiro, as informações a respeito de sua vida de tal maneira são escassas que não é possível sequer identificar com precisão a data de seu falecimento. Cega de nascimento, sendo conhecida como Ceguinha, compôs sonetos e romances líricos em espanhol em louvação a pessoas gradas. O fato de alguns poemas seus terem sido incluídos na antologia Júbilos da América (que a Academia dos Seletos dedicou ao governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, e foi editada em Lisboa, em 1754), deu a Ângela Rangel a oportunidade de sobreviver na memória da literatura brasileira.
Estilo
Segundo a crítica, apesar de seu artificioso cultismo do claro-escuro, a poetisa revela em seu diminuto acervo, capacidade de versificar corretamente e com alguma espontaneidade. Vale a pena notar que seus poemas apresentam uma linguagem singela, direta e profundamente melodiosa, deixando fluir uma certa erudição, elogiada por intelectuais seus contemporâneos. Embora alguns estudiosos de literatura não lhe reconheçam grandes méritos, é incontestável que a sua existência é um fato notável, digno de registro, numa sociedade em que as mulheres eram mantidas, por via de regra, na ignorância absoluta e quando não havia meios de viabilizar uma instrução pública aos que eram privados da visão.
Obras
• Poesia • Ano — Título — Editora — Pg • 1754 — Júbilos da América (coletânea) — Officina do Dr. Manoel Alvares Sollano, Lisboa — 364p.
Poesias
• "Primeira Máxima Militar" • (da obra "Júbilos da América", p. 272) • "Já retumba o clarim, que a Fama encerra • Na vaga Região seu doce acento • De Gomes publicando o alto alento, • Por não caber no âmbito da terra • Declara, que se está na dura guerra, • Tudo acaba tão rápido, e violento, • Que o mais forte Esquadrão, em um momento, • Seus alentos vitais ali subterra • Vosso Nome será sempre exaltado, • Que se voais nas asas da ventura, • Vosso Valor o tem assegurado; • Porque nos diz a Fama clara, e pura • Que outro Herói, como Vós, não tem achado • Debaixo da Celeste Arquitetura." • "Máximas Cristãs e Políticas" • (da obra "Júbilos da América", p. 271) • "Ilustre General, vossa Excelência • Foi por tantas Virtudes merecida, • Que, sendo já de todos conhecida, • Muito poucos lhe fazem competência: • Se tudo obrais por alta inteligência, • De Deus a graça tendes adquirida, • Do Monarca um afeto sem medida, • E do Povo sua humilde obediência: • No Católico zelo, e na lealdade • Tendes vossa esperança bem fundada; • Que, na presente, e na futura idade, • Há de ver a Virtude premiada • Na terra com feliz serenidade, • E nos Céus com a glória eternizada." • "Romance Lírico" • (da obra "Júbilos da América", p. 273) • "Generoso Portugués, • Cuyo sublime Valor • Cabe en el conocimiento; • Más no en la explicación. • Merecen vuestras hazañas • Que ese Planeta mayor • Las imprima en letras de Oro • En su esfera superior. • Ah dichoso Portugués • De Lusitana blasón, • Gloria de Vuestra Excelencia, • De su nobleza esplendor! • Albricias, noble Milicia, • Que es vuestro Caudillo hoy • Quien por sus méritos goza • La mayor estimación. • El Portugués más perfecto, • El Lusitano mejor, • Que en las Escuelas de Marte • Vio el bélico rumor. • Porque con su Nombre solo • Da al enemigo temor, • A la Milicia do tema, • Y al Orbe admiración. • A los Animales fuertes • Diera muerte su furor, • A los Cesares envidia, • A los Carpíos confusión, • De los Aquiles, y Hectores • Quitara la presunción, • Que les dio la fama en cuanto • A Gomes no conoció. • Son tan altas las hazañas • Diste nuevo Campeador, • Que es respetado, y temido • De cuanto ilumina el Sol. • Acueste nombre dichoso • Tanto la Fama esparció, • Que en el más remoto clima • Le rinde veneración. • Es tal su valiente brío, • Que a Marte diera terror, • Si se vieran en campaña, • Desazonados los dos • De Minerva el ejercicio • Vuestro ardimiento dejó; • A dos hacíais progresos • De tanta ponderación. • À las Armas, y à la Guerra • Tan solamente os llevó • Vuestro espirito valiente; • Y animoso Corazón. • Fueron tantos los trofeos, • Que vuestro Valor ganó; • Que no quisiera Mavorte • Ser vuestro Competidor. • Que sirve inútiles plumas • Escribieren tanta acción, • Si es cada letra un oprobrio; • Cada alabanza un baldón? • Ya aquí, Generoso Gomes, • La humilde pluma paró, • Que para decirlo todo, • Basta nombraros a Vos." • "Fundar Casa en Dios (Romance Lírico)" • (da obra "Júbilos da América", p. 275) • "Fundar Casa para Dios • En un desierto país, • Solo una Ilustre Excelencia • Lo pudiera conseguir. • Hacer Corte a un desierto • Tan opulenta, e feliz, • Que de octava maravilla • Bien pudiera presumir. • Es esa fábrica hermosa • O ese hermoso pensil • De cándidas Azucenas • Un bellísimo jardín. • Corte de la Primavera, • Ado siempre hade asistir • Sin dependencias de Mayo; • Y fin favores de Abril. • Pues corre por vuestra cuenta, • A ese Vergel conducir • Divinas flores que en Alva, • No las pueda competir. • Es un nuevo Paraíso, • Porque se fuelle decir, • Que es cada Teresa un Ángel, • Cada Monja un Serafín. • Do a pesar del Inferno, • Han de brillar, y lucir • Prodigios de ciento en ciento • Virtudes de mil en mil. • Dese sagrado Palacio • Quisiste el nombre excluir, • Que no quiso la modestia • Tal vanidad consentir. • Diciendo que solo à Dios • Se ha de alabar, y servir, • Que solo su nombre santo • Allí se ha de proferir. • Vivid edades Nestóreas • Gloria de Vuestro Brasil; • O como el Ave de Arabia, • Que mucre para vivir."
Bibliografia
• CAVALCANTI, Nireu Oliveira. O Rio de Janeiro setecentista. Zahar: Rio de Janeiro, 2004. • COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras: 1711-2001. Escrituras Editora, 2002. • BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro Vol.1. Typografia Nacional, 1883. Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Jornalistas do estado do Rio de Janeiro Categoria:Nascidos em 1725 Categoria:Naturais da cidade do Rio de Janeiro Categoria:Poetas do estado do Rio de Janeiro
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